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Projeto utiliza recursos naturais para o tratamento de água suja

  • Foto do escritor: Karita Emanuelle Ribeiro Sena
    Karita Emanuelle Ribeiro Sena
  • 22 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Sistema desenvolvido por pesquisadores da UFMS utiliza tecnologia baseada em processos de descontaminação de água, com a ajuda de plantas e bactérias biodigestoras


Por Eduardo Boiago


Avaliar a qualidade da água tratada utilizando plantas e bactérias é o objetivo do  projeto de pesquisa EvaTAC desenvolvido na Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Faeng/UFMS). A iniciativa estuda as possibilidades de implementação de sistemas de tratamento de efluentes utilizando recursos naturais, para eliminar a contaminação de águas  tanto de usos domésticos, quanto comerciais ou industriais.


A água tratada pelo EvaTAC sai transparente, sem cheiro e sem gosto do sistema. Apesar da aparência potável, ela não é sanitizada com cloro e, por isso, não pode ser ingerida. Foto: Eduardo Boiago
A água tratada pelo EvaTAC sai transparente, sem cheiro e sem gosto do sistema. Apesar da aparência potável, ela não é sanitizada com cloro e, por isso, não pode ser ingerida. Foto: Eduardo Boiago

O EvaTAC (sigla para Evapotranspiração e Tratamento da Água Cinza), como é chamado, funciona com uma câmara de digestão anaeróbia rica em microrganismos capazes de absorver, adsorver e até combinar determinados compostos, eliminando ou neutralizando os resíduos químicos da água suja.


O projeto piloto está instalado no Laboratório de Tratamento de Efluentes (LabE) da Faeng. Os pesquisadores afirmam que o sistema é capaz de tratar a água utilizada em qualquer atividade que não esteja relacionada ao vaso sanitário, pois o EvaTAC não inclui etapas de descontaminação com cloro e flúor.


Por conta disso, apesar de o tratamento ser eficiente contra certas substâncias químicas, ele não é capaz de matar vírus, bactérias e coliformes fecais, por exemplo. Sem a etapa de sanitização, a água tratada pelo sistema não pode ser utilizada para beber, cozinhar, higienizar alimentos ou tomar banho. A indicação é o reuso para limpezas e para regar jardins e hortas. No caso das hortas, a rega não deve ser feita caso as folhas sejam cultivadas para consumo como alface, rúcula e acelga. Já pés de tomate e outras árvores frutíferas, por exemplo, podem ser regadas normalmente, evitando o contato da água de reuso com o fruto.


Tratamento natural: os Wetlands construídos

Segundo o doutorando no Programa de Pós-graduação em Tecnologias Ambientais, Caique Morelo, o EvaTAC é baseado em um sistema de wetland, ecossistema que possui solos saturas dos de água, existe na natureza e é responsável pela etapa de tratamento de forma natural, no ciclo da água. O Pantanal, por exemplo, desempenha a função de maior wetland natural do mundo. “Os wetlands construídos são tecnologias que mimetizam os processos que ocorrem na natureza. Eles propõem a construção de unidades que repetem os mesmos processos que acontecem de forma natural para o tratamento de efluentes”.


Além do tratamento da água, o EvaTAC também tem apelo estético. As plantas utilizadas na descontaminação da água podem ser ornamentais, enfeitando a paisagem. Foto: Eduardo Boiago
Além do tratamento da água, o EvaTAC também tem apelo estético. As plantas utilizadas na descontaminação da água podem ser ornamentais, enfeitando a paisagem. Foto: Eduardo Boiago

A proposta do EvaTAC é  a utilização em pequena escala. Por usar plantas no processo de descontaminação, o projeto  integra tecnologias de saneamento junto com paisagismo. “É possível colocá-lo no jardim da sua casa, conectado ao sistema de esgoto, e ele pode ser disfarçado com plantas ornamentais que suportem solo com água em abundância”, explica o pesquisador.


Segundo o doutorando, a vantagem de utilizar sistemas como o próprio EvaTAC ou fossas sépticas e sumidouros, por exemplo, é a possibilidade de tratar o resíduos líquidos direto na fonte. As fossas sépticas, combinadas com sumidouros, realizam um processo semelhante ao EvaTAC no tratamento de água. A diferença é que o sumidouro faz a água tratada retornar ao meio ambiente, sem possibilidade de reuso. Caique explica que são tecnologias muito úteis em comunidades rurais e ribeirinhas que podem não ter acesso à rede pública de esgoto.


Além do sistema piloto implantado na UFMS, outras iniciativas idênticas  foram projetadas pelos pesquisadores em casas de professores que colaboram com o desenvolvimento da pesquisa.


O EvaTAC utiliza caixas de fibra de vidro e tambores de PVC, que suportam tranquilamente os processos do sistema. Foto: Eduardo Boiago
O EvaTAC utiliza caixas de fibra de vidro e tambores de PVC, que suportam tranquilamente os processos do sistema. Foto: Eduardo Boiago

O tratamento de água em Campo Grande

Em Campo Grande (MS), o saneamento básico e a distribuição de água é fornecido pelas Águas Guariroba. Nos outros municípios do Estado, o gerenciamento de água tratada fica a cargo da Sanesul. As duas empresas realizam processos mais rigorosos para garantir o abastecimento de água potável aos sul-mato-grossenses. As etapas, nesse caso, incluem coagulação, floculação, decantação, filtração, desinfecção e fluoretação do líquido.


Segundo as Águas Guariroba, não há previsão de projetos de saneamento baseado em recursos naturais em larga escala a serem implantados em Campo Grande. Isso porque esse tipo de tratamento de água, como o EvaTEC, não é eficiente para o abastecimento de uma cidade inteira. A empresa afirma ainda que o processo de tratamento de água na Capital é feito seguindo as normas brasileiras de preservação do meio ambiente e que cada etapa do processo é avaliada, assim como a qualidade da água.






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