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Campanha reforça conscientização sobre a importância da doação de órgãos

  • Foto do escritor: MILENY RODRIGUES DE BARROS
    MILENY RODRIGUES DE BARROS
  • 28 de out
  • 3 min de leitura

Mesmo em 4° lugar no ranking de doações, Mato Grosso do Sul tem 60% de famílias que não autorizam o transplante


Brunna Brondani, Grazielly Marangon e Noysle Carvalho

Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso do Sul (CET/MS), responsável por coordenar ações relacionadas à doação de órgãos e tecidos no Estado - Foto: Noysle Carvalho
Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso do Sul (CET/MS), responsável por coordenar ações relacionadas à doação de órgãos e tecidos no Estado - Foto: Noysle Carvalho

No sábado (27/9), foi comemorado o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos. A data, celebrada durante todo o mês de setembro, busca conscientizar a população sobre a importância de doações de órgãos. Em 2024, o Brasil bateu um novo recorde relacionado à temática, com mais de 30 procedimentos realizados, segundo balanço publicado pelo Ministério da Saúde.


Em Mato Grosso do Sul, as campanhas têm enfoque na conscientização. Apesar de o Estado ser o quarto em doação de órgãos por milhão de habitantes, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), a Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso do Sul (CET/MS) afirma que quase 60% das famílias recusam a doação.


No Brasil, a retirada de tecidos, órgãos e partes do corpo de pessoas falecidas para transplantes depende da autorização do cônjuge ou de parente maior de idade. Mesmo que a pessoa, em vida, expresse seu desejo de doar órgãos por meio de documentos ou outros métodos, a doação ainda precisa de autorização familiar.


A médica nefrologista, Rafaella Grandinete, especialista em transplante de rim e responsável técnica por transplante renal da Santa Casa de Campo Grande, explica que uma das principais dificuldades é a falta de informações sobre o assunto. “Muita gente não sabe que tem que dizer à família e não sabe que a família é quem autoriza a doação. A morte ainda é um tabu, então é muito difícil de ser falado isso dentro de casa, em conversas familiares. Mas é necessário, porque a falta de conhecimento leva a não efetivação de doações que poderiam acontecer”, relata.


Em espera

O editor de vídeo Sidney Magal, 45, possui doença renal crônica terminal. Esse é o estágio mais avançado da doença, o que significa que seu corpo precisa de hemodiálise para conseguir realizar as funções renais. O processo para entrar na fila de espera para transplante é longo e requer tempo e cuidado. O primeiro passo foi Sidney adequar sua saúde. Depois, começou o processo burocrático. Para conseguir a primeira consulta foram necessários 8 oito meses, além do tempo para realização de exames e apresentar a documentação necessária.


Hoje, 1 ano e 9 meses após a primeira hemodiálise, ele ainda não tem certeza se está na lista. A família de Sidney aguarda a confirmação para tentar o direito de fazer doação de órgãos entre parentes. “A família sofre junto. A hemodiálise, apesar de salvar a nossa vida, debilita demais o nosso corpo. Mas vamos vivendo. Vamos vivendo”.


Assim como Sidney, de acordo com o painel de monitoramento do Ministério da Saúde, atualmente 254 pessoas esperam por algum tipo de transplante de órgãos em Mato Grosso do Sul. Do total, 240 esperam doação de fígado, 11 de rim e três de um novo coração.


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Segundo análise do RBT, o estado teve 222 transplantes de órgãos realizados somente até setembro deste ano. Foram realizados 40 transplantes de fígado até setembro, em junho esse número era de 29. Já os transplantes renais dobraram no período, foram de 8 para 19 transplantes de rim de junho a setembro. Em relação aos registros de transplantes de córneas, foram 47 cirurgias a mais no período, de 172 para 236.


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Como ser doador?

Existem duas formas de ser doador de órgãos – em vida e após a morte. Para ser doador em vida, é preciso ter um parentesco de até quarto grau com quem irá receber o transplante. Para não-parentes, é preciso autorização judicial e aprovação do comitê de ética da instituição responsável pelo transplante. Para esse tipo de doação, apenas alguns órgãos podem ser transplantados, como rim, partes do fígado e pulmão. A preocupação aqui é para que a saúde do doador também possa ser assegurada após o procedimento.


Para doações após a morte, é necessário que ocorra a morte encefálica, e a família deve estar ciente do desejo. É importante lembrar que a doação consentida é válida em todo o território brasileiro.


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Rafaella Grandinete reitera a importância da ação para quem recebe esses órgãos e também incentiva as pessoas a serem doadoras. “Acredito que o transplante é algo que quem trabalha, sabe o quanto é bonito e o quanto o paciente renasce, não só ele, mas toda a família, porque a doença também afeta toda a família. Acho que o recado que eu tenho que dar é: seja doador, busque saber informações de fontes seguras e de pessoas que trabalham com isso”.


Para mais informações sobre doação de órgãos no Estado, entre em contato com a Central de Transplantes de Mato Grosso do Sul no endereço da Av. Afonso Pena, 3547 - Centro, Campo Grande - MS, 79002-072, ou pelo telefone (67) 3312-1400.


 
 
 

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