O fim da novela partidária de Eduardo Riedel e o enfraquecimento do PSDB no MS
- lauras05
- 16 de set.
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Com a filiação ao Progressistas, o governador Eduardo Riedel encerra meses de especulações e o partido perde protagonismo no cenário político sul-mato-grossense
Emelyn Gomes e Evelyn Fernandes
A indefinição partidária do governador Eduardo Riedel chegou ao fim com sua filiação ao Progressistas (PP), movimento que não apenas encerra uma disputa entre legendas, mas também simboliza a redução de espaço político do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) em Mato Grosso do Sul. Após quase duas décadas de hegemonia tucana no Estado, a saída de Riedel confirma o enfraquecimento da legenda, que vê seu quadro de lideranças minguar enquanto o PP se fortalece para as próximas disputas eleitorais.

A chamada novela partidária de Eduardo Riedel se arrastou por meses e movimentou os bastidores da política sul-mato-grossense. Depois de eleito governador pelo PSDB, Riedel passou a ser pretendido por diferentes legendas — do União Brasil ao MDB, além do próprio PL. Cada partido oferecia estrutura, tempo de televisão e projeção nacional, ingredientes fundamentais para quem pretende disputar espaço no cenário eleitoral de 2026. Nesse processo, o governador manteve silêncio calculado, alimentando especulações enquanto negociava discretamente.
No último ano, o PSDB já estava registrando baixas significativas: o ex-governador Reinaldo Azambuja trocou a sigla pelo Partido Liberal (PL), levando consigo 18 prefeitos do MS rumo à nova legenda.
A dobradinha partidária: Riedel no PP e Azambuja no PL
O cenário político de Mato Grosso do Sul ganhou contornos estratégicos com a migração do ex-governador Reinaldo Azambuja para o PL e a escolha de Riedel pelo PP. A dobradinha garante controle sobre duas das maiores máquinas partidárias do país, com mais recursos e tempo de televisão.
Segundo o cientista político e vereador Maicon Nogueira, a movimentação amplia a capacidade de articulação política: “Essa estratégia de ida do Reinaldo para um partido e do Riedel para outro é muito interessante porque eles vão ter o maior tempo de TV nessa chapa e vão ter também o maior fundo eleitoral. São dois dos maiores partidos do Brasil, e isso faz com que partidos médios não tentem nem montar chapa. Essa movimentação fortalece o PP, que está se tornando o maior partido do Mato Grosso do Sul, e amplia nossa capacidade de articulação política”.

No fim, essa troca partidária revela um pragmatismo calculado: dividir forças entre duas legendas do centrão e da direita não reflete afinidade ideológica, mas sim um cálculo eleitoral puro, em que tempo de TV, fundo partidário e capilaridade municipal se sobrepõem a qualquer coerência política.
PSDB à deriva?
A manobra que fortalece Riedel e Azambuja, enfraquece o PSDB. Sem o atual e o ex - governador e sem uma narrativa convincente de futuro, a sigla corre o risco de se tornar coadjuvante no jogo político estadual. As falas otimistas de suas lideranças locais soam como resistência, mas escondem a realidade de um partido em declínio.
Na tentativa de manter viva a chama tucana, lideranças locais ainda se mantêm confiantes. É o caso do vereador Dr. Vitor Rocha, atual líder do PSDB na Câmara Municipal de Campo Grande, que relembra conquistas do partido e insiste que a sigla segue representativa:
“O PSDB nacional pode ter encolhido, mas no Mato Grosso do Sul ainda somos o maior partido, com a maior quantidade de prefeitos, vereadores e a maior bancada estadual e federal. Elegemos o governador, temos lideranças fortes e seguimos com o compromisso de dialogar com Eduardo Riedel e Reinaldo Azambuja. Nosso papel é manter a interlocução e mostrar que o partido continua sendo decisivo para o futuro político do estado”.

No entanto, a realidade contrasta com a narrativa. A saída de Riedel enfraquece a coesão do grupo e evidencia que sua movimentação foi estratégica, mirando partidos com mais estrutura:
“Foi estratégico ir para partidos grandes que têm tempo de TV, recurso importante de campanha e capacidade de acomodar aliados”, completou o vereador Victor Rocha.
Essa justificativa, embora pragmática, revela a fragilidade de um partido que já não consegue oferecer condições para manter seus quadros. O PSDB, que durante anos ditou o rumo da política sul-mato-grossense, agora depende de alianças externas e de uma memória nostálgica de tempos mais fortes.
O pragmatismo vitorioso do Progressistas
Enquanto isso, no Progressistas a filiação de Riedel é celebrada como uma vitória política de peso. Para o vereador e cientista social Maicon Nogueira (PP), o governador representa não apenas um reforço estadual, mas também uma liderança de expressão nacional.
“O governador Riedel não é só uma grande liderança do Mato Grosso do Sul, ele é uma das grandes lideranças nacionais. Extremamente capacitado, respeitado, com poder aglutinador”, destacou Nogueira.
Na avaliação do progressista, a decisão reforça um movimento maior de concentração de poder em partidos médios e grandes, em sintonia com mudanças legais que impõem cláusulas de desempenho e reduzem o espaço de siglas menores.
“Quando você some com alguns partidos do mapa, como é o caso do PSDB, que não vai sumir, mas vai ficar bem menor, você concentra esforços nos partidos que realmente têm bandeiras claras e conexão com as pessoas. O Brasil vai caminhar para ter algo em torno de oito partidos, no máximo”.
Nogueira também ressaltou que o ingresso do governador amplia a influência do PP: prefeitos, deputados e lideranças devem acompanhar o movimento, transformando o partido na principal força política do Estado.
Com a consolidação do PP como força predominante, o cenário político de Mato Grosso do Sul se reorganiza, exigindo que partidos menores se adaptem ou busquem novas estratégias para manter a relevância. Nesse contexto, a habilidade de mobilizar aliados, recursos e influência passa a ser o principal determinante do protagonismo nos próximos anos, desenhando uma nova dinâmica de poder no Estado.






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