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Campo Grande é referência em rede de saneamento básico

Capital alcança segundo lugar em ranking capitais com melhores índices no tratamento de água e esgoto no Brasil

Ian Netto, Maria Eduarda Fernandes e Mellissa Ramos



Acesso à água potável e saneamento básico são direitos garantidos pela Constituição Federal. Foto: Maria Eduarda Fernandes

Investimentos bem feitos e parcerias que deram certo levaram Campo Grande à segunda posição na lista das capitais brasileiras com os melhores índices de saneamento, de acordo com dados do Instituto Trata Brasil.

O Ranking do Saneamento 2024, publicado no mês passado, revelou ainda que a cidade subiu nove posições em relação ao ano anterior, indo da 26ª para a 17ª colocação, ficando entre os 20 melhores municípios no ranking geral. Entre as capitais, a cidade fica atrás apenas de São Paulo.


A Águas Guariroba, empresa responsável pela gestão dos serviços de água e saneamento de Campo Grande, afirma que um dos principais motivos para a posição é o baixo índice de perdas de água na distribuição, no qual apenas Goiânia (GO) e Campo Grande apresentaram números inferiores a 25%. O índice na capital morena é de 19,80%. De acordo com a empresa, o abastecimento na cidade atingiu a marca de 99,98%, superando a média nacional que, em 2019, era de aproximadamente 83,6% da população urbana e 50,3% da população rural, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). A cobertura de esgoto também teve um avanço significativo, alcançando 90% da população.


Segundo a concessionária, em 2023, foram implementados outros projetos para melhorar a infraestrutura de saneamento em Campo Grande. Entre eles, a instalação de mais de 230 quilômetros de rede de esgoto e investimentos na produção de água, resultando em um recorde de 311 milhões de litros de água captados no mês de novembro, maior registro em 23 anos.

Para Jesiane Pinto, de 45 anos, a situação não mudou. A moradora do bairro Los Angeles viu o desenvolvimento acontecer ao longo do tempo. Ela reside na Rua Fidélis Bucker há 26 anos e se lembra de quando ainda não havia saneamento. “Antes era um mau cheiro, água suja e muita lama, tinha vezes em que eu tinha até vergonha de receber visitas porque a fossa ficava bem na porta de casa”.

Ao longo dos anos com investimentos realizados em alguns bairros mais afastados da capital, o serviço de esgoto chegou até o bairro em que Jesiane reside. Ela relata que a melhoria da qualidade de vida aumentou desde a implantação da rede de saneamento básico na rua. “Agora a gente se sente mais seguro, né. Sabe que a água que a gente tá tomando é limpa e não vai ter problemas como antes, da água vir com sabor e cheiro”, afirma.


A implantação da rede de saneamento na rua em que Jesiane reside começou há cerca de uma semana. De acordo com o cronograma publicado pela Águas Guariroba, empresa responsável pela obra, a estimativa é que o bairro Los Angeles esteja todo saneado até o final de 2024.


Segundo Mariane de Oliveira, de 39 anos, moradora do bairro Pioneiros, na região sul da cidade, o acesso ao saneamento básico tem melhorado na região, mas ainda é preciso atenção quanto à qualidade da água. “Aqui no bairro a gente tem muito mais acesso do que nas regiões periféricas sim, mas já houve momentos de abrir a torneira e a água sair branca. Não acontece sempre, mas a gente fica com receio”.

Já para os moradores da região norte, próximo ao bairro Mata do Jacinto, o problema é outro, como explica Jorge Ferreira, estudante de Engenharia. "Há lugares aqui que não têm nem água tratada, o que deveria ser o mínimo. É bom ver que algumas coisas têm melhorado para os outros bairros, mas a gente também precisa. Tem que saber pressionar os políticos por mais investimentos que garantam água limpa e saneamento para todos os moradores, sem exceção, porque é questão de qualidade de vida".


A implementação da rede de esgoto em diferentes bairros de Campo Grande está alterando o cotidiano dos residentes graças aos progressos do Programa Campo Grande Saneada - programa com apoio do Governo Federal para implantação da rede de esgoto.

O acesso ao saneamento básico tem se concretizado como um desejo antigo dos habitantes de áreas como Los Angeles, Moreninhas, Nova Campo Grande, Centenário e outras regiões, tornando-se realidade desde o início das iniciativas do programa no ano passado.

Em entrevista, a Águas Guariroba afirma que continuará avançando no Programa Campo Grande Saneada em 2024, intensificando a expansão da rede de esgoto em vários bairros da cidade. A previsão é alcançar um índice de cobertura de 94% até o final deste ano, aproximando a capital sul-mato-grossense da universalização dos serviços de esgoto.

De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Semadur, um dos responsáveis pela boa colocação foi o projeto Córrego Limpo, que atua no monitoramento da qualidade das águas urbanas e na fiscalização de imóveis, através de vistorias para verificar irregularidades, como a falta de conexão à rede de esgoto, o despejo inadequado de água suja em vias públicas ou sistemas de drenagem, e o descarte de água da chuva na rede de esgoto. 

O programa funciona por meio de denúncias e, segundo a secretaria, só em 2023 foram feitas 6.600 vistorias em Campo Grande, com 1.195 notificações. Em parceria com a Águas Guariroba, a secretaria afirma estar em busca de novas formas de otimizar o trabalho e fazer com que o abastecimento de água na capital alcance os 100% o quanto antes.


Destaque nacional

Campo Grande desponta não apenas como um destaque regional, mas também ganha projeção nacional como um exemplo de sucesso na gestão do saneamento básico. Esse feito é resultado de uma colaboração coordenada entre autoridades, empresas e os cidadãos que, felizmente, têm demonstrado consciência sobre a importância da preservação dos recursos hídricos e do meio ambiente.

Apesar dos avanços consideráveis, ainda persistem desafios a serem superados. Questões como a qualidade da água em determinadas áreas da cidade e a falta de acesso ao saneamento básico em regiões periféricas e mais carentes continuam demandando atenção e investimentos adicionais. A participação ativa da comunidade é fundamental, uma vez que grande parte dos programas de fiscalização depende de denúncias. Em Campo Grande, os cidadãos podem denunciar por meio da Central de Atendimento da prefeitura, pelo telefone 156. A conscientização e o engajamento de cada indivíduo são peças-chave para construir um futuro melhor para a cidade.




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