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A era da mentira fabricada: IA, desinformação e o desafio da credibilidade jornalística

  • lauras05
  • 28 de abr.
  • 2 min de leitura

Áudios falsos, vídeos manipulados e imagens alteradas deixaram de ser ficção científica e passaram a ser armas poderosas


Luana Passini

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O avanço da Inteligência Artificial (IA) marca uma das maiores transformações tecnológicas do nosso tempo. Em poucos anos, sistemas capazes de aprender, prever e criar passaram a ocupar espaços estratégicos em diversas áreas da sociedade, inclusive na produção e disseminação de conteúdo, mas quando o progresso tecnológico encontra o uso irresponsável, surgem ameaças sérias. 

Em tempos de desinformação desenfreada, a IA tornou-se um instrumento perigoso para distorcer a realidade, fragilizar a credibilidade jornalística e corroer os alicerces da democracia. Ainda que seu potencial de uso ético exista, especialmente nas ferramentas de checagem de fatos, o debate precisa partir da constatação de que estamos lidando com uma tecnologia que, sem freios, pode custar à sociedade seu bem mais precioso: a verdade.

Se uma imagem vale mais que mil palavras, uma imagem falsa pode custar mil verdades. As deepfakes, vídeos hiper-realistas com falas e gestos completamente fabricados, vêm sendo usados para deslegitimar figuras públicas, forjar escândalos e manipular a opinião pública. A circulação de áudios falsificados e imagens adulteradas, muitas vezes distribuídas em massa com aparência de autenticidade, moldam narrativas que, pela repetição, ganham força e aparência de verdade, impulsionada por algoritmos, desafiando o jornalismo a reagir em tempo real e com rigor redobrado.

O impacto disso no jornalismo é devastador. Em um cenário em que a manipulação digital avança mais rápido que os mecanismos de checagem, manter a confiança do público se torna uma missão árdua. Como competir com o apelo emocional de um vídeo falso que viraliza em segundos? Como manter essa credibilidade quando vídeos falsos circulam com mais velocidade do que são desmentidos? Estamos diante de um momento crucial, ou o jornalismo se reinventa com o apoio da própria IA, ou corre o risco de se tornar irrelevante em uma sociedade em que todos “produzem verdades”.

Sim, a inteligência artificial também pode ser aliada. Ferramentas de verificação automatizada, reconhecimento de padrões e análise de metadados são hoje utilizadas por agências de fact-checking para identificar montagens, detectar manipulações e localizar a origem de conteúdos falsos. Softwares de análise forense digital têm sido capazes de apontar incongruências em vídeos e revelar edições imperceptíveis ao olho humano. A IA, usada com responsabilidade, transparência e supervisão humana, pode fortalecer o jornalismo em sua missão de buscar e preservar a verdade.

É fundamental compreender que a IA não é, por si só, uma ameaça. O risco reside no modo como ela é programada, utilizada e difundida. A tecnologia reflete as intenções humanas, e, nesse sentido, pode ser tão construtiva quanto destrutiva. É por isso que o jornalismo precisa se posicionar com firmeza: contra o uso irresponsável da IA e a favor de sua aplicação ética como ferramenta de checagem e investigação. O jornalismo não pode se omitir nem se render, ele deve ser o guardião da verdade num campo de batalha onde a realidade pode ser fabricada com um clique.

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